Brasileiros e portugueses em Malta: a comunidade lusófona

Brasileiros e portugueses em Malta: a comunidade lusófona

Basta caminhar pela marginal de Sliema ou pelas ruas de St Julian’s para ouvir português: entre estudantes de intercâmbio, trabalhadores e famílias, os brasileiros tornaram-se uma das comunidades estrangeiras mais visíveis de Malta, ao lado de uma comunidade portuguesa mais discreta. Uma ilha anglófona, membro da UE, segura e com sol quase todo o ano: a combinação explica boa parte deste sucesso.

Quantos são, onde moram, onde trabalham e a quem recorrer em caso de problema: aqui fica o retrato da comunidade lusófona em Malta, com números oficiais e os serviços consulares que existem de facto.

Quantos brasileiros e portugueses vivem em Malta?

Não existe um número único, e é importante perceber porquê. O censo de 2021 do NSO (o instituto de estatística maltês) contou 115 449 residentes estrangeiros numa população total de 519 562 habitantes, ou seja, mais de um em cada cinco. Mas o censo só detalha as dez nacionalidades estrangeiras mais numerosas (a italiana à frente, com 13 838 pessoas): os brasileiros e os portugueses ficam agrupados em « outras nacionalidades », o que indica que eram então menos numerosos do que os albaneses, o menor grupo detalhado, com cerca de 2 700 residentes. Mais dados sobre a ilha na nossa página sobre a população de Malta.

Os números mais recentes dão uma ideia da evolução:

IndicadorValorFonte
Autorizações de residência válidas de brasileiros em Malta (31/12/2025)1 394, das quais 1 008 por motivo de trabalhoEurostat
Mesmo indicador em 31/12/2021661Eurostat
Brasileiros inscritos em escolas de inglês em 20255 215 (5 051 em 2024)NSO
Portugueses inscritos em escolas de inglês em 2025334NSO

As autorizações de residência dos brasileiros duplicaram em quatro anos. Estes números subestimam, no entanto, a presença real, por duas razões: os estudantes de inglês vivem em Malta com um visto nacional e não com uma autorização de residência, e muitos brasileiros têm cidadania italiana ou portuguesa e aparecem nas estatísticas como cidadãos da UE. Do lado português, a comunidade é pequena: Portugal não figura entre as dez nacionalidades europeias com mais trabalhadores em Malta no fim de 2025, segundo o Jobsplus (a décima, a grega, conta 1 131 trabalhadores).

Por que Malta atrai tantos brasileiros?

O primeiro motivo é o inglês. Malta é um dos poucos países da União Europeia onde o inglês é língua oficial, e as escolas de idiomas são muito procuradas pelos brasileiros: com 5 215 estudantes em 2025, o Brasil é a primeira nacionalidade de fora da UE nas escolas licenciadas, à frente do Japão e da Colômbia. O perfil é diferente do dos europeus: mais de 80 % dos estudantes brasileiros têm entre 18 e 49 anos (a faixa dos 26 aos 35 anos é a mais representada), e a estadia média ronda as seis semanas, contra cerca de duas para os italianos ou os alemães. Para comparar as opções, veja o nosso guia do intercâmbio em Malta.

Vêm depois as razões práticas: a possibilidade de trabalhar até 20 horas por semana durante um curso de mais de 90 dias (depois dos três primeiros meses), o euro, o clima mediterrânico, a segurança (veja a nossa página sobre a segurança em Malta) e voos frequentes para o resto da Europa. Para quem tem dupla cidadania italiana ou portuguesa, Malta é também uma porta de entrada simples no mercado de trabalho europeu, num país onde se trabalha em inglês.

Para os portugueses, a lógica é outra: liberdade total de circulação, oportunidades em setores como a tecnologia, o iGaming ou os serviços financeiros, e um custo de deslocação reduzido. Muitos vêm por uma experiência profissional de alguns anos.

Onde vivem os brasileiros e portugueses em Malta?

Não há estatística por bairro para estas nacionalidades, mas a geografia das escolas de inglês dá uma boa pista. A maioria das escolas licenciadas concentra-se em St Julian’s e em Sliema, com outras em Swieqi, Valeta ou St Paul’s Bay: é aí que se concentram os estudantes e, por arrastamento, os serviços frequentados pela comunidade. Quem fica mais tempo afasta-se muitas vezes para zonas residenciais próximas, como Msida, Gżira ou Swieqi, ou para o norte (St Paul’s Bay, Buġibba, Qawra).

A escolha depende sobretudo do trabalho e da rede de autocarros: Malta é pequena, mas os trajetos podem ser longos nas horas de ponta. O nosso guia dos transportes em Malta ajuda a escolher a zona.

Trabalhar em Malta: setores e regras

Segundo o Eurostat, cerca de sete em cada dez autorizações de residência de brasileiros em Malta são concedidas por motivo de trabalho. Os estudantes de inglês autorizados a trabalhar procuram sobretudo empregos a tempo parcial na restauração, na hotelaria, no comércio ou no atendimento ao cliente, setores muito dependentes da mão de obra estrangeira em Malta. Os perfis qualificados encontram oportunidades no iGaming, nas tecnologias, nas finanças e na saúde, onde o inglês fluente é a condição principal.

As regras dependem do passaporte: um cidadão português, ou um brasileiro com cidadania europeia, trabalha livremente; um brasileiro sem passaporte europeu precisa de uma autorização (Single Permit ligado a um empregador, ou licença do Jobsplus para estudantes). Todos os detalhes estão no nosso guia sobre o visto para Malta.

Embaixada e consulado: a quem recorrer?

Brasileiros

O Brasil não tem embaixada nem consulado de carreira em Malta. Segundo o Itamaraty, a Embaixada do Brasil em Roma representa o país junto da República de Malta, e o atendimento consular (passaporte, certidões, procurações, documentos) é assegurado pelo Consulado-Geral do Brasil em Roma, com agendamento pelo sistema e-Consular. Existe também um Consulado Honorário do Brasil em Malta, com competências limitadas, que colabora com Roma na organização de consulados itinerantes na ilha (o de abril de 2024 decorreu na American University of Malta, em Bormla). Consulte o site do Consulado-Geral em Roma para saber a data da próxima edição.

Portugueses

Portugal também não tem representação diplomática permanente em Malta: os assuntos são acompanhados pela Embaixada de Portugal em Roma, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Para o cartão de cidadão, o passaporte ou a inscrição consular, consulte o Portal das Comunidades Portuguesas, que indica o posto competente e as eventuais presenças consulares. Em caso de urgência, como cidadão da UE, você também pode pedir ajuda à embaixada de qualquer outro país da UE presente em Malta.

Vida comunitária: igreja, encontros e redes

A comunidade brasileira em Malta organiza-se sobretudo através de grupos nas redes sociais, onde circulam ofertas de quartos, empregos, dicas sobre a Identità e convites para encontros. São úteis, mas verifique sempre as informações administrativas nos sites oficiais: as regras mudam e os conselhos de grupo nem sempre estão atualizados.

Malta é um país profundamente católico, com centenas de igrejas e missas diárias, muitas vezes também em inglês. Se procura uma missa em português, informe-se junto da paróquia do seu bairro ou da Arquidiocese de Malta, que indicam as celebrações para as comunidades estrangeiras. Para entender o ritmo da ilha, com as suas festas de aldeia e procissões, veja os feriados públicos em Malta.

Comida: os sabores de casa e os de Malta

Para encontrar produtos brasileiros ou portugueses e restaurantes com sabor de casa, os grupos da comunidade são a melhor fonte: as moradas mudam depressa e as recomendações recentes valem mais do que qualquer lista. Do lado maltês, há boas surpresas para um paladar lusófono: os pastizzi (folhados de ricota ou ervilha), a ftira (pão recheado), o coelho guisado (stuffat tal-fenek) e muito peixe grelhado. Para descobrir a cozinha local com um guia, há uma visita gastronómica a pé por Valeta.

Dicas para se integrar bem

  • Fale inglês desde o primeiro dia: é a língua do trabalho, da administração e das escolas. O maltês é a outra língua oficial, mas ninguém exige que o fale; veja a nossa página sobre os idiomas falados em Malta.
  • Não fique só entre lusófonos: é tentador, mas é o maior travão aos progressos em inglês e à rede profissional.
  • Trate da papelada cedo: inscrição na Identità depois de três meses para os europeus, visto ou autorização de trabalho em dia para os outros.
  • Prepare o orçamento de alojamento: as rendas são altas nas zonas mais procuradas, e a partilha de apartamento é a regra entre estudantes.
  • Adapte-se ao ritmo local: a condução à esquerda, as festas de aldeia no verão e um ritmo de vida mais lento do que nas grandes cidades brasileiras.

Perguntas frequentes sobre brasileiros e portugueses em Malta

Quantos brasileiros vivem em Malta?

Não há um número oficial único. No fim de 2025, 1 394 brasileiros tinham uma autorização de residência válida em Malta (Eurostat), a que se juntam os estudantes de inglês com visto nacional (5 215 brasileiros passaram pelas escolas em 2025, segundo o NSO) e os brasileiros com cidadania europeia, contados como europeus.

Existe consulado do Brasil em Malta?

Não existe consulado de carreira: o atendimento é feito pelo Consulado-Geral do Brasil em Roma, que organiza periodicamente consulados itinerantes em Malta com o apoio do Consulado Honorário do Brasil na ilha.

Existe embaixada de Portugal em Malta?

Não. A Embaixada de Portugal em Roma acompanha os assuntos relativos a Malta. O Portal das Comunidades Portuguesas indica o posto consular competente para os documentos.

Onde moram os brasileiros em Malta?

Não há estatística por bairro, mas os estudantes concentram-se perto das escolas de inglês, sobretudo em Sliema e St Julian’s; quem fica mais tempo espalha-se por zonas próximas (Msida, Gżira, Swieqi) ou pelo norte da ilha (St Paul’s Bay, Buġibba, Qawra).

Um brasileiro pode trabalhar em Malta?

Sim, com autorização: um Single Permit ligado a um empregador, ou, para os estudantes de cursos de mais de 90 dias, até 20 horas por semana depois dos três primeiros meses, com licença do Jobsplus. Com cidadania europeia, o trabalho é livre.

A comunidade lusófona de Malta é jovem, móvel e em crescimento, puxada pelos brasileiros que vêm aprender inglês e, muitas vezes, ficam para trabalhar. Para chegar bem preparado, comece pelas formalidades e pela escolha da escola: a nossa lista das escolas de inglês em Malta é um bom ponto de partida.